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3 de agosto de 2010. Segunda.
Acordei-me novamente com o soar do relógio que avisava que era hora de levantar. Arrumei-me, como de costume, comi como de costume, escovei os dentes e saí de casa, como de costume. Mas ao passar pela frente da casa do Lucas não o esperei, continuei caminhando e em alguns minutos havia chegado ao damas. -Elisa! – Gritou Lucas correndo atrás de mim. – Você não me esperou... -Mas que coisa, não? – Falei ironicamente e entrei no colégio. Eu estava sendo completamente ridícula, afinal, ele não era nada mais do que meu amigo, era completamente normal ele ficar com outra garota. Mas não para mim, não para mim. Continuei andando pelo corredor até chegar à sala. -Lisa! – Exclamou Luana vindo ao meu encontro, levantei a sobrancelha em sinal de cumprimento e continuei andando até sentar numa cadeira na frente, longe deles, longe de tudo. As aulas se passaram lentamente, eu apenas fiquei observando a janela, as plantas, o ar, até finalmente tocar. Sai rapidamente da sala e fui caminhando até a cantina, nela estava ‘a novata’ sentada sozinha, ao menos até o Lucas chegar e a beijar. Ah, doía ver aquilo, doía muito. Era como se alguém houvesse roubado todo meu ar, tudo que costumava ser MEU ar, e eu nem sabia por que eu sentia aquilo, afinal, o ar nunca foi meu... Não sei por que agora eu me importava tanto com ele. Sentei-me num banco que havia perto da cantina e fiquei ali por cerca de cinco minutos, sozinha. -Você sabe onde é a diretoria? – Perguntou um menino ao se sentar ao meu lado. Não reparei muito nele, apenas observei que ele tinha cabelos um pouco ondulados, pretos e olhos verdes. -Sei. – Respondi e me virei novamente. -Você pode me levar lá? -Não tenho nada para fazer mesmo. – Respondi friamente e me levantei, fui andando em direção a diretoria enquanto ele me seguia em silêncio. – Pronto, aí está. – Me virei novamente para ele e só ai percebi que ele era bonito, não tanto quanto o Lucas, mas era bonito. -Obrigado. – Suspirou. Movimentei os ombros para cima e para baixo num sinal de tanto faz e fui caminhando lentamente. – Hei! – Ele chamou novamente e veio correndo atrás de mim. -O quê? – Falei me virando. -Você não me disse seu nome. -E por que é importante? -Porque eu gostaria de saber. -Tanto faz, não há por que você saber mesmo. – Dei as costas. Ele chamou novamente. -Bernardo, meu nome é Bernardo. -Tanto faz. - Resmunguei e fui andando até a porta da minha sala, não demorou muito e soou o toque, eu já estava dentro dela. Um pouco antes da professora de história entrar Lucas veio a minha direção, todo feliz, com um grande sorriso no rosto. -Estou namorando. – O encarei e suspirei. Não respondi, apenas encarei a cadeira novamente, ele simplesmente saiu, depois de alguns segundos sendo ignorado. Idiota, estúpido, imbecil e retardo. O meu amor... As aulas se passaram mais devagar do que nunca, quando finalmente soou o toque e eu sai correndo para casa, literalmente. Não demorou muito e eu havia chegado. -Andréa? – Gritei ao chegar. Ela veio ao meu encontro correndo. -O que aconteceu? – Não respondi, apenas corri e a abracei. Quando me dei conta estava chorando. De uma maneira que não chorava há tempos, lágrimas escorriam do meu rosto. Ela me questionava o motivo, eu apenas chorava, chorava em seus braços. – O que houve? – Me questionou novamente. -Por favor, diz que tudo isso é um pesadelo, trás ele de volta, faz ele ser meu... Eu preciso dele aqui. – Ela me apertava contra ela e pedia no meu ouvido para que eu não chorasse. Ficamos alguns minutos assim até que ela me puxou para a cozinha. -Vamos, coma comigo. – Falou colocando um pote de sorvete a minha frente. – Sorvete, a melhor cura para corações quebrados. -Então eu acho que tenho de comer um pote inteiro. – Ri, mesmo chorando. Comi todo o pote e logo depois subi para meu quarto e liguei meu computador. Logo que conectei a internet entrei no MSN. Recordo-me bem que assim que entrei no MSN Lucas falou comigo. Lucas diz: Elisa!!! Que saudade...... Demorei um pouco até responder, não sabia o que falar. E! diz: Eaí. Arrependi-me de ter falado aquilo, talvez eu pudesse conquistá-lo, mas não. Não saberia como. Lucas diz: Você quer sair hoje? Eu e você. Meu coração pulou ao ouvir aquilo. ‘Eu e você.’ Nós. E! diz: E sua namorada? Ele demorou um pouco até finalmente responder. Lucas diz: O que tem ela? Eu to falando de nós dois sairmos, como antigamente, apenas nós dois. E! diz: Certo. Lembro-me bem do que senti, um embrulho subia por meu estomago, uma esperança brotava no meu coração. Lucas diz: To indo aí. Lucas desligou-se. Aquele era definitivamente o momento mais feliz da minha vida. Desliguei o computador rapidamente e corri até meu guarda-roupa. O abri, nele havia várias peças, comecei a jogar as que não me interessava em cima da cama, até que finalmente vi um vestido roxo e curto, peguei também um salto preto básico. Fui até o banheiro e tomei uma ducha básica, sai rapidamente, coloquei o vestido, o salto, e abri minha gaveta onde havia calçinhas e coloquei uma. Passei um lápis nos olhos e um brilho labial e comecei a descer as escadas. O encontrei no sofá, me esperando. -Eu iria subir, mas você estava no banho. – Falou sorrindo. -Você está lindo. – Suspirei. E ele realmente estava. Usava uma blusa laranja e uma calça jeans. -Você está como sempre. Não preciso nem comentar. – Sorri. – Vamos? – Peguei em sua mão e gritei para Andréa. -Volto logo. – Ela gritou um sim e eu fechei a porta atrás de mim. – Aonde vamos? -Vamos para um parque. -Qual parque? -Aquele que tem os patinhos. – Rimos. ‘Os patinhos’. Lembro que foi no dia em que falei a ele que havia dado um beijo. Ele me perguntou sobre tudo. Entramos no táxi. Afinal, era uma distancia grande e ele não gostava de ir de ônibus, sempre andava de táxi... Sempre. Não demorou muito e estávamos na entrada do parque. Era lindo, todo branco, um grande espaço, ao ar livre. Apenas uma banca, onde se pagava a entrada. 5 reais para ser exata. Entramos, demos de cara com alguns brinquedos de crianças a direita e em frente um lago, onde havia vários pequenos barcos em forma de patos. Fomos até os patos. -Querem um? – Questionou o funcionário do local. -É. – Respondeu Lucas. Logo ela puxou um ‘pato’ e nos sentamos nele. Havia nele um tipo de ‘pedal’ usado em bicicleta que movimentava o barco, começamos a pedalar, até que finalmente chegamos ao meio do lago e paramos. -Você ta estranha. -É? – Falei ironicamente. -O que ta acontecendo? -Nada. -Você nem ligou para o fato de eu estar namorando. – Algo remexeu no meu estomago naquele momento. -É. – A única coisa que consegui falar. -Ela é legal. – Ele sorriu. – Ela é especial. -Isso é bom. -É. -Isso. -Mas não tanto quanto você. – Sorri ao ouvir aquilo. Ele deitou sua cabeça no meu ombro e ficamos assim por minutos. Falamos sobre o passado. Nem parecia que algo tinha mudado. Mas sim, algo havia mudado. Voltamos para casa às 6 da tarde, ele insistiu a me levar até a porta. -Boa noite. – Falei. Ele sorriu e me abraçou. -Boa noite. – Dei as costas e fechei a porta atrás de mim. Corri até meu quarto e fiquei deitada em minha cama até o dia seguinte, nem me dei ao trabalho de tomar banho, não sonhei, afinal, havia vivido meu sonho naquele dia. A única coisa que atrapalhou foi aquele maldito despertador tocando e avisando que era hora de levantar. |
Um pouco.
Eu o amava, meu melhor amigo. Eu o amava. Tudo por um beijo, um maldito beijo. Ah, mas eu o amava.
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Hey there delilah.Distance. Formas e cores, paixões e dores. Amigos e amores.
Mesmo sendo difícil respirar sem ele, eu irei conseguir.
Importante
Não copie, tenha sua própria criatividade.
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