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1 de agosto de 2010. Domingo.
Lá estava eu, no meu quarto rosa, deitada em minha cama quadrada. Cobertas estavam espalhadas pelo chão, uma porta aberta a minha direita, meu banheiro, que no momento encontrava-se bagunçado. O relógio tocava, eram meio-dia do ultimo dia de férias. Me levantei da cama calmamente e observei meu quarto. Ele era pequeno e quadrado. Tinha uma cama, um guarda-roupa embutido na parede e uma mesa, onde encontrava-se meu computador. E ah, claro, uma cadeira, que usava para me sentar em frente à mesa. Mais nada. Ah, haviam também as cobertas da cama, mais de seis, para ser exata, nunca entendi o motivo de tantas cobertas. Em cima da cama apenas meu travesseiro e o meu celular que havia me despertado. Virei-me devagar e dei de cara com a janela, uma janela grande, praticamente uma varanda, mas não, não era uma varanda. Era como uma porta sem saída, onde dava para ver o quarto do Lucas, meu melhor amigo. Fui até ela devagar e a abri, o Lucas provavelmente ainda estaria dormindo, era a única explicação para essa janela fechada dele. Fechei a janela e me virei para a bagunça do meu quarto, ah, não arrumaria agora, definitivamente não. Andei até o banheiro calmamente, ao entrar nele encontravam-se várias roupas no chão, um vaso sanitário, um balcão com cremes e maquiagens, um chuveiro e um espelho. Bem, um banheiro normal. Fui até o espelho, me observei. Bem, eu não sou a mais bonita, nem a mais feia. Sou a Elisa, tenho exatamente 15 anos de idade, sou normal como qualquer ser humano, já sofri, já amei, já curti e já menti. Minha beleza não era interior, definitivamente não! Sou uma pessoa extremamente antipática, desde criança, meus pais fazem questão de dizer. Minha beleza exterior? Bem, média. Tenho cabelos castanho claro, ondulados, mas não tanto. Meu olho é castanho escuro e tenho um rosto, digamos, bem desenhado. Ah, tenho espinhas, claro, sou humana. Meu corpo? Bem, sou magra, baixa e tenho umas grandes nádegas. Tecnicamente atraente. Até você me conhecer bem. Ai, é que tudo desanda. Mas voltando ao meu banheiro. Ajeitei meu cabelo, ou melhor, apenas toquei nele e voltei para o quarto. Dei mais uma olhada e saí dele, dei de cara com o corredor. Nesse corredor tinham três portas, um era o quarto dos meus pais, o outro era o banheiro e o último o meu. Não era uma grande casa, mas não chegava a ser pequena. Comecei a descer a escada que ficava de frente para meu quarto e dei de cara com a sala. Ah, uma bela sala. Nela tinha apenas uma televisão de plasma com 40 polegadas, dois sofás e um tapete antigo da minha mãe. Apenas. Andei então até minha cozinha, ficava ao lado da sala, lá havia uma grande mesa de seis lugares e separado por um balcão de mármore a cozinha, que tinha fogão, geladeira, armários, pias, coisas normais de qualquer cozinha. Olhei em volta. Ninguém.
-Alguém ai? – Chamei em voz um pouco alta, logo Andréa apareceu. Andréa era nossa empregada, minha mãe trabalhava de segunda á sexta, das 7 da manhã ás 10 da noite, ou seja, era impossível ter tempo de cuidar da casa. Por isso a Andréa cuidava dela. Soltei um sorriso e fui me sentar à mesa. A Andréa tinha em média seus 25 anos, era solteira, uma morena bonita, com olhos e cabelos pretos. O que ela tinha de especial? Bem, fazia o melhor pão com queijo do mundo. Minha comida favorita. Não demorou muito e estava lá, na minha frente, pão com queijo e coca-cola. – Obrigada, Andréa. – Murmurei. Ela sorriu.
-Daqui a menos, estaremos na hora do almoço. – Falou com seu sotaque carioca. Sorri. Comecei a comer, pensando no dia de manhã. Ah, minhas tão amadas férias, estariam acabadas. Era o fim de dormir de 4 da manhã por ficar no computador. Ah, que dó. Agora tinha que me focar nos estudos. Ou melhor, agora não. No momento a única coisa que tenho que me focar é este pão com queijo... Ri de mim mesma. Comecei a comer e logo terminei.
-Obrigada, Andréa. – Falei me levantando e saindo para a escada até que ouvi alguém bater a porta. Fui atender. – Lucas! – Exclamei ao vê-lo. Ele era lindo, mas só meu melhor amigo. Loiro e com olhos verdes. Seu corpo era musculoso, ou seja, delicioso, como dizem as meninas. Ele não namorava, pois acreditava em amor, em príncipes de contos de fadas. Bem, romântico não? Ele tinha a minha idade, 15 anos. Ou melhor, eu era dois dias mais velha que ele. Éramos tão apegados, desde pequenos. Era a ele que confiava meus maiores segredos.
-Elisa! – Exclamou ao me ver e me envolveu num abraço. Puxei-o para dentro e fechei a porta atrás dele.
-Acabou de acordar, não? Fui até sua janela e você não estava lá. – Ele riu.
-Sempre olhando para minha janela? – Ri também. Andamos até o sofá e lá nos sentamos, colocamos qualquer coisa para assistir e ficamos ali, abraçados, assistindo algo que estava passando. Era sempre assim. A companhia dele me confortava. Ficamos assim por alguns minutos, cerca de meia hora, até Andréa nos chamar para almoçar. Fomos até a cozinha e comemos, sempre brincando. Sempre eu e ele. Até aí estava tudo bem. Terminamos de comer e ele se virou para mim.
-Quer brincar? – Questionou. Soltei um sorriso amarelo.
-Do quê? – Parecíamos duas crianças. Como antigamente...
-De verdade ou conseqüência. – Eu sorri. Confirmei que sim e ele me puxou pela mão até meu quarto. Ao chegarmos lá ele trancou a porta e nos sentamos no chão. Ele girou a sandália, havíamos combinado que quem ficasse com a parte da frente iria perguntar. Ele ficou com a frente. – Conseqüência ou verdade?
-Conseqüência. – Falei rindo.
-Me dê um beijo. – Ele pediu. Eu o encarei.
-Do que você está falando?
-Eu quero só um beijo, Elisa, só para saber como é. – O Lucas era BV. Não havia como recusar. Fechei os olhos e me aproximei dele, em poucos instantes sua boca estava contra a minha, parecia uma dança, nossas línguas se entrelaçavam perfeitamente. Até que paramos. O olhei timidamente.
-Está tarde Lucas. – Disse sem nem sequer olhar o relógio. Ele apenas balançou a cabeça.
-Então está bem... – Falou se levantando. – Nos vemos amanhã?
-Sim, sempre. – Ele sorriu um sorriso maravilhoso, um sorriso esplêndido e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Sentei-me na cama e fiquei pensando naquele beijo. O primeiro dele. O mais especial para mim. Não era qualquer um, ora. Era o Lucas, o meu Lucas. Ah, que pensamentos eram aqueles? Ele era apenas meu amigo. Ri de mim mesma. Olhei para o relógio, três da tarde e eu estava bem cansada. Resolvi dormir todo o resto do dia. Dormi até exatamente o outro dia, até que final o desperto tocou ás 06h00min da manhã.


Um pouco.
Eu o amava, meu melhor amigo. Eu o amava. Tudo por um beijo, um maldito beijo. Ah, mas eu o amava.

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Hey there delilah.
Distance.

Formas e cores, paixões e dores. Amigos e amores.
Mesmo sendo difícil respirar sem ele, eu irei conseguir.

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